sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Parei!

domingo, 14 de outubro de 2007

Acordei de madrugada lembrando fortemente de minha mãe.
Passou-se mais de um mês desde que ela morreu e só agora senti forte o momento de falar sobre isso...

Mulher frágil e miúda, minha mãe passou por momentos difíceis por toda a vida. Enfrentou bravamente muitas doenças e lutou vigorosamente contra tantas adversidades... Nunca foi de meias palavras, muito menos de se entregar às dificuldades. Sofreu. Tudo aquilo que toda pessoa sofre e um pouco mais.

Por uma época, eu chegava a pensar que ela estivesse enfrentando seu próprio karma. Nisso eu ainda acredito. Seria impossível que ela não evoluísse, tamanha a provação que teve pela sua passagem neste planeta. Mas creio que sua maior provação e seu maior sofrimento era enfrentar as limitações do corpo...

Dona Catarina sempre foi uma mulher forte e batalhadora. Das minhas memórias de menino, lembro perfeitamente de nossas andanças pelo centro da cidade, de como ela avançava rápida em passos miúdos e eu, também miúdo, me esforçava por segui-la. Lavava, passava, cozinhava, arrumava a casa. A dela própria e a de outros - quando precisava ou quando os outros precisavam.

Independente, nunca esperou que lhe dessem proventos: buscava sua própria maneira de sustentação. Nunca foi de ficar parada, esperando que seus problemas se resolvessem sozinhos (essa é a maior lição que aprendi com ela...)

Mas o corpo padece porque é "frágil, impotente e fraco". Embora sempre tivesse lutado contra as doenças que enfrentou ao longo da vida, estas sempre lhe deixaram sequelas. E, assim, a força e a energia dessa pequena grande guerreira foram-se indo...

Apesar de seus poucos 54 anos de vida, minha mãe passou a envelhecer drasticamente. Foi sobrevivendo tendo que conformar-se em que os outros lhe dessem condições para continuar... Teve que habituar-se a precisar dos outros porque não podia mais ficar sozinha. Eis uma outra provação, mas também outra grande lição!

Mas o fato é que, pra ela, era duro ter-se convertido em uma mulher dependente. Nos últimos anos precisava de ajuda para tudo. Já não tinha condições de cozinhar, lavar, passar... Foi se adaptando às coisas que ainda conseguia fazer porque, ora!, a uma mulher enérgica como sempre foi, sempre tem algo que ainda se possa fazer!

Debilitada, com a coordenação motora prejudicada e visão encurtada, ela passava horas vendo TV, roendo seus biscoitos favoritos, comendo seus amendoins salgados, "conversando" com suas novelas, acompanhando o futebol...

Dizia que não morreria antes de realizar 3 desejos: andar de avião, comer no Mc'Donalds e ir ao cinema.

O primeiro foi previamente realizado quando, acometida por grave pneumonia, ela teve de ser transferida de um hospital a outro; foi de helicóptero. Depois de algum tempo, já completamente recuperada, conseguia tirar graça da situação julgando esse desejo concretizado. "Pelo menos voei!" dizia ela.

O segundo foi facilmente realizado. Numa dessas tardes em que estávamos famintos com vontade de comer algo diferente, lá fomos nós ao Mc'Donalds levando a Dona Catarina. Em seus olhinhos sempre abertos, querendo enxergar tudo, eu via a satisfação de quem nunca pôde dar-se ao luxo de comer num lugar como aquele. Quando criança, sempre ouvi ela dizer que só gente rica comia lá.

O terceiro desejo fiz questão de realizar. Levamos ela ao filme "Trair e coçar é só começar", providencialmente um filme nacional, com estilo televisivo e com atores bem conhecidos dela. Fiquei maravilhado em vê-la maravilhada diante daquela imensa tela que parecia uma TV gigante. De novo seus olhinhos verdes se esforçavam para ver tudo... Esses mesmos olhos que, espero, nunca vou esquecer. Os olhos que, por vezes, eu flagrava olhando pro nada e me perguntava o que poderia se passar por trás daquele olhar!?

Na mesma ocasião do helicóptero, um momento ficou eternizado em minhas lembranças. Ela estava visitando minha irmã que mora no interior. Quando fui avisado que estava em estado grave no hospital daquela cidade, me desloquei o mais rápido que pude para vê-la. Quando lá cheguei, ela estava sozinha numa enfermaria, ligada ao oxigênio, respirando com muita dificuldade, sentindo muitas dores. Assim que apareci na porta, seu olhar se confundiu entre alegria e desespero. Eu ficava ao seu lado imaginando o quanto ela sofria e se era possível amenizar aquela dor. Ela me olhava como que pedindo socorro. Esta foi a primeira vez, depois de muitos anos, que eu e meus irmão estávamos todos juntos novamente. E não acreditávamos que ela fosse resistir.

Mas ela sobreviveu! E ainda passamos por muita coisa boa juntos! Mas, como a vida é mesmo cruel e nós, seres humanos, somos volúveis, foi difícil cuidar integralmente dela... Tentei dividir esse fardo com meus irmãos... Mas é difícil você colocar sua própria mãe como se fosse um fardo. E, exatamente por isso, não conseguíamos decidir quem cuidaria dela.

Bem... Sempre falamos que a única certeza que temos é a da morte. No caso da minha mãe, sempre soubemos que uma hora aconteceria, por mais que ela falasse que viveria até os 80 anos! Mas, de fato, nunca estamos realmente preparados...

E ela se foi. Em 09 de Setembro de 2007, partiu para a Eternidade.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

LET ME SING YOU A WALTZ...

Pois é!!!
Qual a trilha sonora da minha vida???
Eis o meu próprio desafio...

Adorei essa "corrente musical" que está circulando pelos nossos blogs! Apesar do elemento virtual, podemos nos conectar também pelo universo musical-universal, encontrando [mais] afinidades.

Bem, vamos à corrente!

[difícil não ser piegas...]

A música me inspira - Renato Russo [Equilibrio Distante]. Sempre.
Me emociona - Frente!, [Bizarre Love Triangle], me dói também - Elis Regina, [Atrás da Porta]. Ela (s) me acompanha (m) constantemente - Madonna [Rain], Alanis [Thank U], Nina [My baby just cares for Me].

Sou daqueles que ouve um milhão de vezes a mesma música, várias vezes. Sou sazonal, nesse sentido.

Recentemente:
The Postal Service - [Against all odds]
Adriana Calcanhotto -[Adriana Partimpim, in: Dolores e seus Temores, principalmente Saiba e Oito Anos]
The Cardigans - [Lovefool]

Semana passada:
Cancioneiro popular, Cantigas de Roda - [Se essa rua fosse minha], [Carneirinho, Carneirão], [Ei, eu entrei na roda]...

Mês passado (fase 80's):
Menudos - [Não se Reprima]
Sempre Livre - [Eu sou Free]
Balão Mágico - [Ursinho Pimpão]

Claro que meu ecletismo musical não está condicionado apenas ao trabalho. É apenas um fator inevitável!

Me dou conta de como é difícil conceituar meu gosto musical. Somos habituados a trocar idéias sobre música, cantarolar em rodas de amigos, curtir um som na rádio, no diskman, no MP3 (e congêneres), gostamos - ou não - da música alta na casa do (a) vizinho (a)... Mas tudo - até aí - é relativo.

Colocando isso numa esfera pessoal de conceituação, a coisa dificulta. Pelo simples fato de tentarmos uma experiência intelectual, quando - de fato - a música é um gosto tão subjetivo.

Acordei com uma música "na cabeça". Adivinha qual?

Beauty has a price...
... no one ugly allowed...
Naomi Campbell such a bitch!

Ontem, dormi com outra música, don't cha!

Adoro dirigir ao som de Breath me, lembrando das cenas finais do meu seriado favorito: uma cena de road movie em que as personagens principais são mostrados na hora de sua morte; uma delas dirigindo seu carro em busca de outros rumos (!), vendo pelo espelho retrovisor que sua vida não foi em vão... É claro que me sinto como ela quando ouço essa música! "I have lost myself again..."

Tem alguns filmes que marcam muito e que ficam martelando através da trilha sonora. Uma música que marcou muito pra mim foi do filme Antes do por do sol, cantada pela atriz Julie Delpy, já no finzinho [Let me sing you a waltz], de uma beleza singular... Até decorei a letra! Será que existe mais alguém no mundo que tenha gostado tanto deste filme a ponto de decorar a letra dessa música? Pois é... eu faço esse tipo de coisas. Fui atrás da música-tema do Filme Yossi & Jagger (Delicada Relação) [Bo, de Ivri Lider], chorei vendo a cena ao som de Moon River [Henri Mancini], e não sosseguei enquanto não a achei...

Sou muito como aquela música: ...eu não sei porque eu temo em dizer... [Lenha]
Mas, no momento ... eu não quero isso, seja lá o que isso for... [Ópio]

Eu não quero aquele, eu não quero aquilo
peixe na boca do crocodilo
braço da Vênus de Millo acenando, tchau!

Dá pra perceber que estou num momento Zeca Baleiro?

É muito clichê, sim, mas minha vida poderia ser marcada por uma trilah sonora bem eclética - embora eu ache que, dificilmente, encabeçaria uma lista Top 10.

E também estou sempre mudando: de opiniões, idéias, sentidos. Minha lista de músicas é muito variável, volúvel, suceptível.

Quero, então, compartilhar com alguns amigos que tenho por aqui essa corrente musical. Desafio:

http://wagnermarques.blogspot.com/
http://coletor.blogspot.com/
http://edineysantana.zip.net/
http://rainhadaaurora.blogspot.com/

quarta-feira, 18 de julho de 2007

*homens que choram*

Em época de Pan venho falar de algo que acontece comigo em outras épocas semelhantes (copa, olimpíadas, etc...)

Claro que, como eu, a maioria dos brasileiros costuma agir assim nessas ocasiões, deixando transparecer um sentimento de nacionalismo e patriotismo que faz falta no dia-a-dia - que, quando muito, só vem de novo à tona em datas como 07/09 e 15/11...

Me dei conta disso ontem enquanto assistia a competição de Ginástica Olímpica e hoje durante a competição de Natação. Chorava a cada vez que um brasileiro ganhava uma medalha. E chorava mais cada vez que subia-se ao pódio e executava-se o Hino Nacional.

Mas eu choro em tantas situações... Pensando nisso, tive a idéia de criar uma comunidade no orkut dedicada aos *homens que choram*. Antes disso, resolvi vasculhar o orkut a procura de tais comunidades. Lógico que achei algumas bem interessantes! Existem enquetes que questionam sobre as situações que fazem os homens chorar.

Aí relaciono, também, com filmes que abordam (mesmo que sutilmente) o tema como "Os brutos também amam"... Existem outros, sim. Mas não vêm ao caso agora.

O que vem ao caso é que tudo isso me parece estar voltado aos homens machos heterossexuais, claro. Ah! Não quero discutir méritos de sensibilidade masculina, nem militar pelos machos homossexuais, nem entrar em outras questões DE gênero...

Mas, sim, me incomodo com expressões do tipo:

"Chorar não significa perder a masculinidade!"

"Não tenha medo de parecer menos homem por chorar!"

Chorar faz parte do ser humano, em toda e qualquer situação. Por uma herança histórica, os homens - todos - têm tendência a esconder e/ou mascarar suas emoções reais em detrimento da tão fadada hombridade. Com alguns picos, foi permitido ao homem sensibilizar-se mais - ou menos - de acordo com o contexto histórico.

Hoje vivemos dias em que é permitido ao homem expressar livremente seu choro e não podemos condenar os que ainda julgam ser coisa de "viado". É dada ao homem a permissão para manifestar o choro. Felizmente.

Mas até pra mim é difícil chorar publicamente! Não sei porquê. Deixo as lágrimas rolarem em jogos, em filmes, ouvindo músicas especiais, até vendo comerciais de TV! Mas se estou acompanhado, disfarço o choro.

Quando estou sozinho choro com convicção e sem constrangimentos.

Mas porque será que é complicado para o homem chorar quando não se trata de uma situação extrema???

Pois é fácil chorar quando se perde alguém - concreta e/ou metaforicamente. É fácil chorar quando se está numa situação difícil, quando as coisas não estão bem, quando nos machucamos, quando algo sai diferente do jeito que gostaríamos...

Farei um exercício comigo mesmo: quero deixar as lágrimas rolarem quando os olhos marejarem. Na frente de quem quer que seja!

Tudo isso foi apenas uma reflexão "pública" pra ser compartilhada pelos amigos e desconhecidos que a lerem. Por sinal, seria muito bacana compartilharmos MESMO, trocando experiências e - porque não? - lágrimas.

Abração afetuoso.

domingo, 17 de junho de 2007

Amigo de infância

Conheci meu amigo de infância aos 18 anos.
Ele vinha despontando uma alegria de viver e uma vivacidade impressionante aos olhos de quem o visse.
Eu vinha saindo de uma adolescência interrompida, de descobertas tardias e de cada vez mais ânsias. Querendo viver plenamente.
Assim conheci meu melhor amigo. Onze anos se foram e nos conhecemos desde a infância de nossas mais intensas descobertas. Nos descobrimos juntos e uma ao outro e vivemos alegres por muito tempo.
Um dia nossos destinos se debateram e nos separamos. A amizade, porém, permaneceu viva e mais intensa e mais verdadeira. O amor fraternal e sincero que sentimos um pelo outro mantém-se vívido a cada visita, a cada "oi", a cada riso que - inevitavelmente - ainda preservamos daquela inocência de infância característica de quando nos encontramos.
Existe uma mensagem que já nem sei mais se fui eu ou se foi ele quem escreveu, mas que de tempos em tempos repassamos um ao outro.
Ei-la!

Com o passar do tempo vamos deixando aos poucos de fazer pequenas coisas que sempre foram tão importantes... Dar um telefonema apenas ´para dizer "oi!", escrever uma carta... "noite melancólica de quarta-feira..."
A saudade é recorrente, a sentimos, a sorrimos, a choramos. Lamentamos.
Basta sentí-la, é simples. Demonstrá-la não só em palavras, mas como? Somos todos volúveis ao passar dos dias. Inesgotavelmente nos afundamos na sensação de tempo esgotado - sem tempo pra nada - cheios de coisas pra fazer.
Bastaria um sorriso. Ver um piscar de olhos. Ou nada, enfim. Ficar frente a frente, apenas observar...
Oh, Deus! Como é grande essa ânsia, essa vontade. Quão enorme é esse vazio! Como dóem essas palavras em meus pensamentos! Elas que batem dentro da minha cabeça e se batem e não sabem se organizar!
As palavras saem, a hora passa. O sol nascente, os dias poentes. O tempo corre, a vida "sorry"...


Carinhos,
Cris.

sábado, 16 de junho de 2007

Não sei...

Período de muito trabalho e algumas espectativas.
As preocupações de sempre e
SAUDADES...
Também, um momento de reflexão, de ponderação.
A introspecção de sempre e
ANGÚSTIAS...
Alguns prazeres, muitos fazeres por se fazerem.
A rotina de sempre e
TALVEZ...
As "mesmas" novidades, uma ou outra nova fagulha.
As mesmas coisas de sempre e
NÃO SEI!

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Esperando pela bonança

às vezes, a cada dia
passamos por uma tempestade...
ou a tempestade passa pela gente?

é natural esperarmos pela bonança, não?

ultimamente estou bastante confiante que ela venha.
quanto mais penso nessa hipótese, mais acredito que ela virá!

é claro, a tempestade sempre vem.